Um dos filmes que assisti esse final de semana foi Becoming Jane (lançado no Brasil com o título simplista – como a maioria – Amor e Inocência), que em uma tradução livre significa Tornando-se Jane. A produção inglesa com lindos atores europeus em performances invejáveis é uma cinebiografia romanceada da ousada, para os padrões da época, escritora Jane Austen, que tem entre as seis obras produzidas “Orgulho e Preconceito”, também filmado recentemente e consagrado em festivais e premiações.
Na verdade, Becoming Jane não narra toda a vida de Austen, mas sim, como o título sugere, a fase adolescente daquela que viria a ser a grande mulher Jane Austen e os fatos que a inspiraram a escrever o já citado “Orgulho e Preconceito”, sua obra-prima.
O filme é redondo, sem furos de produção, roteiro, direção e interpretação. Fotografia agradável e maquiagem de envelhecimento que até convencem, não aquelas coisas horrendas que vemos em alguns filmes. Uma típica produção hollywoodiana que não apresenta nada de novo no modus operanti “fazer” cinema, a não ser reforçar fórmulas anteriores que resultam em um longa bem feito.
O filme é redondo, sem furos de produção, roteiro, direção e interpretação. Fotografia agradável e maquiagem de envelhecimento que até convencem, não aquelas coisas horrendas que vemos em alguns filmes. Uma típica produção hollywoodiana que não apresenta nada de novo no modus operanti “fazer” cinema, a não ser reforçar fórmulas anteriores que resultam em um longa bem feito.
Mas o que me motivou a escrever sobre o filme não tem nada a ver com defini-lo ou avaliá-lo (pelo menos neste post..hehe) a partir das teorias do cinema ou coisas do estilo. Por que mesmo passando despercebido, por não ter nada “inovador” foi um filme, do gênero que chamo de água-com-açúcar-e-muitos-lenços-de-papéis, que me tocou.
O mote é praticamente o mesmo do “Orgulho e Preconceito”, em que a jovem inglesa do séc XVII se vê entre a terrível dúvida de ouvir seu coração e casar-se com o tal amor verdadeiro ou ouvir a razão e escolher o melhor partido. É claro que a fulgurante Jane, na mais tenra época da vida, a fase em que se conhece O primeiro amor (se é que existe um segundo, terceiro, quarto...), sofre indescritivelmente por ter qua abrir mão do homem que acorda as borboletas em seu estômago. Os conflitos levantados pelo filme podem até serem considerados ultrapassados, mas será que são?
Pessoas do mesmo sexo, ou de idades bem diferentes, que queiram ficar juntas não passam pelas mesmas dificuldades que a jovem Austen passou? Para se encontrar com Tom Lefroy, o cara por quem foi perdidamente apaixonada, Jane tinha que criar planos mirabolantes, afim de evitar murmurinhos (em vão, porque eles sempre surgiam). Atualmente pode até ser que homens e mulheres que se amam e não possuam “compatibilidade financeira” consigam triunfar e viverem felizes para sempre sem que a sociedade imponha toda sua moralidade na relação. No entanto, gays são obrigados a ficarem pelos cantos ou se divertirem em guetos durante os outros 364 dias em que não existe parada do orgulho. Pra ficar no campo cinematográfico, está aí Brokeback Mountain. As inquetações de Jane Austen continuam pulsantes nas veias de boa parte do mundo, talvez por isso que ela voltou “a moda”. Não vou contar, mas o fim de Jane, no filme (e na vida real, conseqüentemente) não é o mais feliz. Que possamos escrever a nossa história com certas adaptações.


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